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Teixeirinha - "O gaúcho do coração do Rio Grande"

Teixeirinha nasceu em Rolante/RS em 03 de março de 1927, tornando-se popular a partir de Passo Fundo/RS com a gravação da música "Coração de Luto", em 1961.

A vida de Teixeirinha foi uma explosão de sucessos, surpreendendo tanto a ele como ao meio empresarial que assistia o fenômeno deste disco. Teve mais de 700 canções gravadas, 69 LPs editados e um acervo de 1.200 composições. Manteve por mais de 20 anos programas radiofônicos conhecidos tanto no Rio Grande do Sul como em outras rádios pelo Brasil.

Graças ao sucesso da música "Coração de Luto", foi convidado pela Leopoldis Som (1967) a encenar a história da música. Achou que o cinema seria apenas mais uma experiência, mas os fãs pediram mais e, depois de "Motorista Sem Limites" (1969) de Itacir Rossi, acaba por tornar-se produtor e ator de mais de 10 filmes:

Ela Tornou-se Freira - 1970
Teixeirinha Sete Provas - 1973
Pobre João - 1975
O Gaúcho de Passo Fundo - 1978
Meu Pobre Coração de Luto - 1978
Tropeiro Velho - 1979
A Filha de Iemanjá - 1980
Sempre teve convidados ilustres em seus filmes, tanto do cenário gaúcho como nacional, tais como Valter D'Ávila, Edith Veiga, Amélia Bittencourt, Darci Fagundes, Ricardo Hoeper, Dimas Costas e as presenças constantes de Vânia Elizabeth, Suely Silva e Jimmy Pipiolo, entre outros nomes.

Segundo o próprio Teixeirinha, seu sucesso se deve à simplicidade com que ele escrevia suas músicas: "Eu canto para o povo" e "Onde o povo for, eu vou". Assim, ele cantou sua música por todo o Brasil, América do Sul, Estados Unidos e Canadá. Seus discos são editados nas colônias portuguesas de todo o mundo, tendo recebido de Portugal o troféu Elefante de Ouro.

Sua carreira durou 27 anos, recebeu inúmeros troféus, discos de ouro, títulos de cidadão emérito e, após seu falecimento em 04 de dezembro de 1985, outras várias homenagens.

Na entrada da cidade de Passo Fundo, foi erguido um monumento de sua figura e, em dezembro de 1999, a RBS TV lhe outorgou o mérito como um dos "Vinte Gaúchos que Marcaram o Século XX", a partir de votação popular, como um dos nomes mais ilustres do Rio Grande do Sul.

Teixeirinha vendeu mais de 30 milhoes de discos. Teixeirinha, como todo ídolo, não morre. Seus sucessos como Coração de Luto, Gaúcho de Passo Fundo,Veridiana,O Colono, Xote Soledade, Gaúcho Amigo, Tropeiro Velho, Querência Amada, tordilho negro, permanecem no canto do Rio Grande do Sul e além fronteiras.

(texto fornecido pela Fundação Vitor Mateus Teixeira http://www.teixeirinha.com.br/)

Um regalo:

Bens humanitários e a Poliomielite

Fim de ano corrido, não pude atualizar as postagens aqui.
Entretanto, aproveito o espírito natalino e o desejo que todos sentimos ao iniciar um novo ano para lembrar a história de dois notáveis seres humanos que contribuíram em suas áreas verdadeiramente para humanidade.
Jonas Edward Salk (1914-1995) médico, cientista e professor norte-americano nascido em New York City, USA. Foi o criador da primeira vacina contra poliomielite (a epônima vacina Salk).
OBS: A Poliomielite é uma doença, conhecida desde a pré-história, causada por um vírus que causa paralisia por vezes mortal (a transmissão do poliovírus normalmente se dá em situações onde as condições sanitárias e de higiene são inadequadas).

Salk começou suas pesquisas sobre a poliomielite em 1947 na University of Pittsburgh. Depois de experiências nas quais demonstrou que a inoculação do vírus morto favorecia a formação de anticorpos para combater a enfermidade, trabalhou na fabricação de uma vacina, que foi aplicada em seres humanos numa fase experimental em 1952 e oficialmente permitida em todo o território dos Estados Unidos em 1955.
A vacina de Salk era eficaz na prevenção da maioria das complicações da pólio, mas não prevenia a infecção inicial de acontecer. A inovação para a prevenção ocorreu 05 anos depois com o médico e pesquisador polonês que emigrou para os USA, Albert Bruce Sabin (1906-1993), quando o Serviço Público de Saúde dos Estados Unidos apoiou sua vacina com vírus "vivo" para a pólio em 1961. Seu produto, preparado com o vírus atenuado da pólio, poderia ser tomada oralmente, e prevenia a contração da moléstia.
Esta é a vacina, conhecida por nós como “gotinha”, que eliminou efetivamente a pólio em quase todo o mundo (exceto em alguns países na África e Ásia).
Ambos renunciaram aos direitos de patente da vacina que criaram, facilitando a difusão da mesma e permitindo que crianças de todo o mundo fossem imunizadas.
O importante para considerar neste início de novo ano é a grandiosidade dos gestos que nós seres humanos podemos fazer. O Dr. Salk não buscava fama ou fortuna através de suas descobertas, e segundo os historiadores ao ser perguntado sobre "A quem pertence a minha vacina?”  ele teria respondido:
“Ao povo! Você pode patentear o sol?"
É claro, não se pode culpar a tendência capitalista pela falta de melhorias no âmbito mundial. Mas é notório que os avanços tanto científicos como tecnológicos surgem, porém a necessidade de reconhecimento financeiro a niveis astronômicos  fazem de muitos “bens humanitários” propriedade de comércio! Infelizmente, o resultado não beneficia o público.
Este é o paradoxo que nosso tempo nos apresenta. O descaso pela “coisa pública” e a coisa pública tendo descaso pelo povo.
Mas ainda há esperança!!

Não temos todos (em todas as áreas de criação) esse mesmo poder quando realmente queremos?
Queremos realmente salvar a humanidade e nosso planeta?
Pudera os criadores aprofundarem-se na ética humanitária e possibilitarem tais esperanças ao mundo.
Com votos de felicidades, reflexão e saúde, desejo à você leitor um ótimo Fim de ano 2010!

A originalidade de Antônio Villeroy

José Antônio Franco Villeroy, cantor e compositor, nascido em 1961, gaúcho de São Gabriel. O "Totonho", como é chamado, iniciou cedo a interessar-se pela composição, aos 24 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou harmonia funcional, contraponto e fez pesquisas nas áreas de história da música e musicoterapia. Ganhava a vida lecionando violão, harmonia e compondo trilhas para espetáculos de teatro e dança.

Totonho, lembrando da infância, conta que aqueles foram anos marcados pelas tensões causadas pelo golpe militar, cujos acontecimentos se estendem à distante cidade pampeana que cresceu. Também, ficam em sua memória cenas dos pais queimando livros e as histórias de presos políticos que eram clientes do escritório que funcionava na parte frontal da casa, alguns deles auxiliados em fugas no porta-malas do Aero Willis da família.

Seu primeiro disco, com participações especiais de Toninho Horta e Renato Borghetti, ganhou o Prêmio Sharp de Revelação da Música Popular Brasileira e o Prêmio Açorianos na categoria Melhor Disco do Ano.

Interessante seu relato de uma passagem por Belo Horizonte, onde assistiu a um show da cantora Ana Carolina. Durante a apresentação escreveu a letra da música, 'Garganta', que, depois do show, mostrou para Ana, que de cara se diz muito identificada com a música. Alguns dias depois Antonio gravou e enviou para Ana a canção que viria a ser, em 1999, o primeiro sucesso nacional de ambos, ao ser incluído no primeiro álbum da cantora pela BMG. A partir daí Ana Carolina torna-se sua principal intérprete.

Seu último álbum, 'Sinal dos Tempos', foi gravado ao vivo com a participação da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro de Porto Alegre.

Conheçam um pouco do trabalho de Totonho no álbum Sinal dos Tempos, música “Da Laia do Lama”, participação de Ana Carolina: 



Espero que gostem!

O ilustre, Leopoldo Rassier

Muito interessante é conversar com as pessoas com mais tempo de vida, elas sempre procuram demonstrar os valores tradicionais que foram criadas, outra época talvez. Numa dessas conversas ouvi uma verdadeira declaração de respeito por este representante da cultura gaúcha:


Leopoldo Rassier (1936-2000), gaúcho de Pelotas, advogado, poeta, compositor e cantor nativista. Criado em estância, campeiro de pé no estribo, defensor das tradições nativistas gaúchas, com sua voz inconfúdível e a qualidade de suas composições tornou-se um símbolo da Califórnia da Canção Nativa. Quem o conhecia afirma ter sido homem de grande bondade.
Recentemente, tive este testemunho de uma pessoa muito próxima sobre o momento que recebeu um resultado profissionalmente ruim de uma longa peleia, quando, então, lembrou-se da canção de Leopoldo “Não Podemos Se Entregar Pros Homens”, e sorriu, cantou, lembrando a que veio: Apesar das dificuldades que encontramos, e elas podem ser muitas, não devemos desistir. Essa 'insistência' figura como virtude de valentia no peito de quem luta. Tantos irmãos solitários na luta diária do trabalho, passa despercebido seu maior mérito: de continuar seguindo em frente, desde piá, passando por cima dos medos e tomando as rédeas do seu 'eu'.
É de grande valor relembrar isso tudo, pois com lança, cavalo e no peitaço, que foi implantada as fronteiras dos pampas gaúchos. Com este mesmo empenho e a liberdade no horizonte, levamos nossas tradições ao longo da evolução dos anos, sustentando com ela nossa nação.
Desta tradição tão forte que, por aqui, torna-se inegável reconhecer o sentimento de amor à pátria que enche o coração dos habitantes dessa querência. Sobretudo, demonstrado na forma típica cultural aquilo que fazem melhor e que grande valor tem aos olhos dos que apreciam a música, a prosa e a união estes rituais fortalecem.
Veja uma de suas apresentações: "Não Podemos Se Entregar Pros Homens"

Tatuagem - Elis Regina

Elis Regina (1945-1982), cantora, nascida em Porto Alegre - RS. Além da sua voz e estilo inconfundíveis, Elis também foi crítica da ditadura brasileira (durante os chamados Anos de Chumbo), quando muitos músicos e artistas foram perseguidos e exilados.
Participou numa série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, um dos quais a campanha pela Anistia de exilados brasileiros. Encabeçou um importante movimento, referente aos direitos dos músicos brasileiros e foi presidente da ASSIM – Associação de Interpretes e Músicos.
Sua carreira brilhante na Música Popular Brasileira possibilitou a interpretação de obras marcantes, como esta, que nos chega amplamente acessível graças ao YouTube.


Neste ato, a querida "Pimentinha" interpreta na TV Bandeirantes em 1976, acompanhada do piano de César Camargo Mariano, a  música de Chico Buarque e Ruy Guerra feita para uma peça de teatro chamada Cabalar censurada pela ditadura em 1973.
Sobre a peça teatral, intitulada "o elogio da traição", foi escrita no final de 1973, em parceria com o cineasta Ruy Guerra e dirigida por Fernando Peixoto. Teria sido uma das mais caras produções teatrais da época, custando cerca de trinta mil dólares e empregava mais de oitenta pessoas.
Devido à censura, somente seis anos mais tarde, uma nova montagem estrearia, desta vez, liberada pela censura. Posteriormente, publicada em livro no ano de 1994, pela editora Civilização Brasileira, tendo sido editada novamente em 23 edições.
Penso que em muitos momentos difíceis nos vem a lembrança de bons momentos, pessoas que amamos, e isso certamente nos move a superação. Gosto muito destas músicas que Chico faz para o feminino, de certo modo não deixam de ser sentimentos comuns às mulheres que ele aproveita para devolver a elas em seus versos.
Quando há a identificação com uma intérprete, tal como Elis, dá nisso: uma canção profunda e rica em verdade. Sei que não devemos trazer o amor ao campo da razão, mas como negar o poder de convencimento à ação que ele faz. Poder-se-ia compará-lo a loucura que mesmo assim seria mais próximo.
Por dar imenso valor que compartilho este momento convosco.

Sepé Tiaraju, herói brasileiro.

Sepé Tiaraju


Nascido em um dos aldeamentos jesuíticos dos Sete Povos das Missões, foi batizado com o nome latino cristão de Joseph. Também conhecido como Sepé, por ser um bom combatente e estrategista, tornou-se líder das milícias indígenas que atuaram contra as tropas luso-brasileiras e espanholas na chamada Guerra Guaranítica.

Os jesuítas foram catequizadores que não domaram nem dominaram os índios, se associaram na cultura nativa e inseriram a religiosidade branca e auxiliaram no desenvolvimento das aptidões culturais do povo americano. A paz foi construída através do trabalho comunitário e cooperativo.

Esses guerreiros, homens e mulheres, voltaram suas vidas para a educação, a cultura e a auto alimentação. Dá pra imaginar índio imprimindo livro, fundindo o ferro e produzindo sinos e objetos sacros há trezentos anos no sul deste país? Fabricavam instrumentos musicais, inclusive violinos onde expressavam suas produções musicais.

Sepé Tiaraju era corregedor - espécie de prefeito - da Redução Jesuítica de São Miguel, eleito pelos índios guaranis, quando da assinatura do Tratado Madri, em 1750, pelo qual os reis de Portugal e Espanha trocavam os Sete Povos das Missões pela Colônia do Sacramento, obrigando cerca de 50 mil índios cristãos a abandonarem suas cidades, igrejas, lavouras, fazendas, onde criavam dois milhões de cabeças de gado e, principalmente, a abandonarem as terras de seus ancestrais. Insurgindo-se contra esse tratado, Sepé liderou a resistência dos índios guaranis, pronunciando a famosa frase: “Esta terra tem dono”.

Morreu em 7 de fevereiro de 1756, enfrentando tropas portuguesas e espanholas no local chamado Batovi, hoje cidade de São Gabriel. Três dias depois, mil e quinhentos índios foram trucidados na batalha do Caiboaté. Poucos meses depois, nada mais existia do sonho missioneiro de uma sociedade cristã.

Mas o povo do Rio Grande do Sul, por sua própria conta, canonizou o herói guarani missioneiro como São Sepé, nome dado ao arroio, à margem do qual passou sua última noite, na atual cidade de São Sepé.

No ano de 1979, mais de dois séculos depois, a UNESCO, organismo das Nações Unidas para Educação e Cultura, tombou as Ruínas de São Miguel Arcanjo como Patrimônio da Humanidade. O consultor da UNESCO, quando visitou o Brasil para conhecer as ruínas de São Miguel, afirmou que a importância da obra é a mesma que possuem aquelas do Coliseu, na Itália, ou da Acrópole, na Grécia. Por isso, o sítio foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial Cultural, em 1983, por respeitar o seguinte critério: ser um exemplo excepcional de um tipo de edifício ou de conjunto arquitetônico que ilustra uma etapa significativa da história da humanidade.
 

Livro de Aço -  O livro dos Heróis Nacionais

O nome do índio missioneiro rio-grandense-do-sul, Sepé Tiaraju, é a 11ª inscrição no Livro dos Heróis Nacionais. Deu-se para assinalar a passagem dos 250 anos de sua morte. Desde novembro de 2005, Sepé Tiaraju já constava como herói guarani declarado pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

No dia 22 de setembro de 2009, o presidente da República em exercício, José Alencar, sancionou lei que inscreve o nome de Sepé Tiaraju no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Recentemente a Câmara dos Deputados em Brasília lançou o livro "Sepé Tiaraju – Herói Guarani, Missioneiro, Rio-Grandense e agora herói brasileiro", que divulga a saga dos Sete Povos das Missões e, especialmente, a participação de Sepé Tiaraju na defesa das terras guaranis diante dos exércitos de Portugal e Espanha.

Clique para baixar o livro da Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados.

Pixinguinha, em dobro.


Alfredo da Rosa Viana Filho, o "Pixinguinha" (1897-1973), nascido no Rio de Janeiro capital, filho caçula de 14 (quatorze) irmãos, por forte influência do pai, flautista, tornou-se músico instrumentista, compositor, orquestrador e maestro, diplomou-se em 1933 em Teoria Musical no Instituto Nacional de Música. Ganhou o famoso apelido de uma prima cujo significado é "menino bom". É considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, com referências aos sons afro-brasileiros e africanos.

Apresento-lhes a versão mais fiel, a meu ver, da célebre canção "Rosa" de Pixinguinha, composta originalmente em 1917, mas que veio a ser amplamente conhecida em 1937 por Orlando Silva. É claro, não há de se esquecer outras interpretações modernas, como no dueto de Andre Mehnari e Ná Ozzetti (clique para ver), que enriquece a versão com as notas do piano.



Para não perder o ritmo, apresento-lhes do mesmo modo, uma das canções mais conhecidas popularmente no Brasil: "Carinhoso". Pixinguinha compôs entre 1916/1917, letra de João de Barro, após gravada em 1937 por Orlando Silva. Alguns contemporâneos de Pixinguinha afirmam que ele teria criado o Carinho para uma mulher cantar em um certo teatro. Há de se recordar as renovações desta canção quase centenária, em versões como a de Marisa Monte (clique para ver).



OBS: Comemora-se no dia 23 de abril o Dia Nacional do Choro, em homenagem ao nascimento de Pixinguinha.

Amigos, sua vez.



Em 2003, Ben Harper e Jack Johnson, gravaram esta versão da musica de Bob Marley, "High tide or Low tide", é tocante a preocupação que ambos tiveram em demonstrar a letra que nos fala: em manter a amizade independentemente do que aconteça, reconhecendo que seja "na maré alta, ou na maré baixa eu estarei ao seu lado".
Dedico àqueles Amigos que acompanham, cegamente, seus Amigos, ou àqueles que possuem dentro de si a fibra moral necessária para manter uma amizade sincera, muitas vezes sofrendo calados com as mudanças que ela trás. Fique certo que você, Amigo, é o segundo pilar que sustenta o Ser, e na acepção mais ampla do termo, é em si que reside o amor. São estas minhas considerações mais elevadas a vocês. 

Deixando o pago - Vitor Ramil

Os versos abaixo foram escritos pelo poeta João da Cunha Vargas (1900-1980), natural do Alegrete/RS, homem das lides campeiras, poeta que jamais escreveu seus versos - consideradas poesias brotadas em estado de pureza -, tendo guardado-os sempre na memória.
Vitor Ramil, compositor, cantor e escritor gaúcho, natural de Pelotas/RS, já musicou quase toda a obra de João da Cunha Vargas, registrou em magnífica harmonia o poema Deixando o Pago (a palavra Pago é, para o natural do Rio Grande do Sul, seu lugar de nascimento, sua região natal, etc.).

Acompanhe o poema ouvindo a música, certamente irá gostar.


"Alcei a perna no pingo
E saí sem rumo certo
Olhei o pampa deserto
E o céu fincado no chão
Troquei as rédeas de mão
Mudei o pala de braço
E vi a lua no espaço
Clareando todo o rincão

E a trotezito no mais
Fui aumentando a distância
Deixar o rancho da infância
Coberto pela neblina
Nunca pensei que minha sina
Fosse andar longe do pago
E trago na boca o amargo
Dum doce beijo de china

Sempre gostei da morena
É a minha cor predileta
Da carreira em cancha reta
Dum truco numa carona
Dum churrasco de mamona
Na sombra do arvoredo
Onde se oculta o segredo
Num teclado de cordeona

Cruzo a última cancela
Do campo pro corredor
E sinto um perfume de flor
Que brotou na primavera.
À noite, linda que era,
Banhada pelo luar
Tive ganas de chorar
Ao ver meu rancho tapera

Como é linda a liberdade
Sobre o lombo do cavalo
E ouvir o canto do galo
Anunciando a madrugada
Dormir na beira da estrada
Num sono largo e sereno
E ver que o mundo é pequeno
E que a vida não vale nada

O pingo tranqueava largo
Na direção de um bolicho
Onde se ouvia o cochicho
De uma cordeona acordada
Era linda a madrugada
A estrela d’alva saía
No rastro das três marias
Na volta grande da estrada

Era um baile, um casamento
Quem sabe algum batizado
Eu não era convidado
Mas tava ali de cruzada
Bolicho em beira de estrada
Sempre tem um índio vago
Cachaça pra tomar um trago
Carpeta pra uma carteada

Falam muito no destino
Até nem sei se acredito
Eu fui criado solito
Mas sempre bem prevenido
Índio do queixo torcido
Que se amansou na experiência
Eu vou voltar pra querência
Lugar onde fui parido"

Todo o sentimento - Chico Buarque

Com imagens da Cidade Luz para a canção de Chico Buarque e Cristóvão Bastos, que é, incomparávelmente, um intérprete da alma feminina, traduzindo as mulheres até para elas mesmas. Realmente, esse vídeo demonstra todo o sentimento. Sua letra, é capaz de nos dizer muito, as vezes além do que estamos acostumados. Esperimente! Espero que você goste.
 

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu. 

Natural Reflexão

Podemos aprender algo com os animais!? Ao menos eles não se excluem dos problemas sociais de sua espécie. The Battle at Kruger

Homenagem às Mães


Madre
Enéas Luis Dutra

Perdoe-me, por teus conselhos não ouvir
tudo vem aos meus olhos
eu sem medo de agir.

Nestas andanças muito já vi
talvez, nem consigas imaginar
quanto já sofri.

Tenho em  ti o exemplo de vida
de ti, também, a humildade herdei
valor mui valioso nestas curvas que passei.

Minha mãe, hoje quero te contar
vi tua vida dura, na face de muitas senhoras.
As mãos calejadas lembram muito as tuas
nem por isso, no rosto triste, escondem o sorriso.
É o que move os filhos
rebeldes a lutar
inconscientes ao agir
mas fiéis no amar.

Teu único desejo
foi o melhor me dar.
Meu único desejo
é a ti minha conquista dedicar.

Por isso te carrego no peito
no fundo do coração,
saiba que me fizeste um homem
dia e noite na luta
não me curvo a corrupção.

Aguardo com saudade
tua casa
teu colo
teu olhar..

Transcrevi meu sentimento nestes versos a minha mãe, para mim um gesto simples, mas olhos dela de tamanha proporção. Pudera outros filhos dedicar a seu modo, e em tempo, homenagem às mães. Elas merecem muito mais. Parabéns!

Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...



Mário Quintana, (1906-94), poeta gaúcho de Alegrete/RS, após tentar 3 vezes, sem sucesso, uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, afirmou: Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro.

Mulher


Busquei bem longe algumas palavras para lhe homenagear neste dia. Particularmente, percebo que poucos, como algumas mulheres, entendem as sutilezas e a capacidade refinada de olhar o mundo pelos detalhes e compreender sentimentos mais nobres, como dar valor ao próximo..

Um velho chinês dizia:
  
"Amar uma bela mulher com o sentimento de amar as flores aumenta a agudeza da admiração; amar as flores com o sentimento de amar as mulheres aumenta a ternura em protegê-las.
As mulheres são flores que sabem falar e as flores são mulheres que exalam perfume. Aprecia antes o falar que o perfume.

Para uma mulher, ter a expressão de uma flor, a voz de um pássaro, a alma da lua, a postura do salgueiro, ossos de jade e pele de neve, o encanto de um lago outonal e o coração de poesia - seria realmente a perfeição.

Evita ver o murchar das flores, o declínio da lua e a morte de mulheres jovens. Deve-se esperar ver as flores em pleno viço após plantá-las, a lua cheia após dias a aguar­dá-la, e acabar de escrever um livro após começá-lo; deve-se cuidar de que uma bela mulher seja feliz e alegre. Do con­trário, todos os trabalhos são em vão..." Yumeng Ying
  


Espero, sinceramente, que neste dia você possa ver esperança e o imenso valor que você - como pessoa, como mãe, como mulher guerreira - possui. 

Alceu Wamosy


Jean Delville, The Love of Souls

Duas Almas

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
Entra, e sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho, 
Viver sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve branca anda a branquear, lividamente, a estrada,
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
Se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
Podes partir denovo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade sua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

Alceu Wamosy, poeta gaúcho de Uruguaiana - Rio Grande do Sul, (1895-1923), republicano, morreu após ser ferido durante a Revolução Federalista, patrono de uma cadeira da Academia Rio-Grandense de Letras. In: WAMOSY, Alceu. Poesias. 3ª ed. Livramento: Brisolla, 1950, p.127.